Antroposofiando · Família e Educação

FASES DA VIDA (SETÊNIOS E NONÊNIOS)

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Somos como a lua. Temos várias fases e cada uma possui características diferentes. O conhecimento das etapas permite uma existência tranquila. Dentro desse conceito, encontramos a Antroposofia, palavra originária do grego, que significa “conhecimento do ser humano”. A chamada “pedagogia do viver” foi desenvolvida pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner no começo do século 20. Para Antroposofia, o ser humano precisa conhecer a si mesmo, afim de compreender o Universo, visto que todos nós integramos e participamos do Universo. Nas palavras de Steiner, é “um caminho de conhecimento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do universo”.

A Antroposofia não é uma religião, tampouco uma seita. Ela é praticada em grupos nas instituições onde o assunto é estudado. Esse pensamento filosófico também não é moralista, nem dogmática. O indivíduo vive conforme suas regras, sem precisar se apoiar em tradições autoritárias que negam a capacidade e direito do ser humano em pensar e agir de acordo com seus pensamentos. Da “pedagogia do saber” surgiu a Teoria dos Setênios. Vamos conhecê-la e saber como ela se relaciona com o corpo humano.

Teoria dos Setênios

Na Teoria dos Setênios, a vida é divida em fases de sete anos. Mas, por que sete anos? O número possui enorme importância. Deus criou o mundo em sete dias. São sete dias na semana, sete planetas relacionados ao homem (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno) e sete metais (ouro, prata, mercúrio, cobre, ferro, estanho e chumbo). Os gregos e a tradicional medicina chinesa observavam e estudavam as alterações espirituais e biológicas no ser humano. A teoria revela as complexidades de cada etapa e como o corpo humano influencia as emoções e atitudes. A Teoria dos Setênios possui sete ciclos, os “setênios do corpo”.

Primeiro Setênio: 0 a 7 anos – intercâmbio entre o individual (adormecido) e o hereditário

Aqui, o lado espiritual da individualidade e a parte biológica se encontram. As células trazem as ações das forças herdadas. Estas ficam nos rins a vida toda e a fisionomia da pessoa mostra essa herança. Quando o pai ou a mãe não convive com a criança, o outro precisará compensar a ausência. Contudo, a mãe ainda é mais necessária. Após os sete anos, a criança ganha autonomia.

Segundo Setênio: 7 aos 14 anos – autoridade amada

Fase dos dentes permanentes e amadurecimento do coração e pulmão. O mundo externo nos encontra, forças entram e saem de nós. A grande marca é a troca. Neste setênio a autoridade de pais e professores tem enorme relevância, esses adultos orientam a conduta da criança. As atitudes desses mediadores influenciam como a criança verá o mundo. Autoritarismo mostra frieza e crueldade, permissividade leva a comportamentos inapropriados.

Terceiro Setênio: 14 aos 21 anos – puberdade e crise de identidade

A mulher menstrua e o homem entra em sua fase fértil. O ser humano sai da abstração da infância e desembarca no mundo terreno. Nesta crise de identidade, onde não se é mais criança nem adulto, o indivíduo quer liberdade. O mundo não está mais restrito a família e a escola. A pessoa deseja ser reconhecido como indivíduo e ser aceito por um grupo que reflita seus anseios.

A marca deste setênio são as escolhas, qual profissão seguir e onde estudar. Nesta fase é onde a vida profissional tem início, dando parte da sonhada liberdade. O jovem pode distorcer as coisas e acreditar que o dinheiro é a chave de tudo. Existe a crença de que somos maduros o suficiente, que sabemos tudo e podemos emitir julgamentos racionais.

Quarto Setênio: 21 aos 28 anos – experimentar limites

Ossos e músculos fortes. Homem e mulher estão no auge da fertilidade. No quarto setênio é a fase das sensações e emoções. Momento de se perguntar se escolheu a profissão correta, se deixou de aprimorar alguma aptidão e se está em harmonia com o mundo, família e consigo. O “Eu” ainda está em fase de formação, porém, se mostra fortemente. O trabalho é muito importante para esta formação. Não atingir os objetivos causa frustrações.

Quinto Setênio: 28 aos 35 anos – fase organizacional

O baço-pâncreas não ampara a carne. O rosto revela as primeiras rugas. O indivíduo questiona se está no caminho certo. A pessoa também pergunta se consegue expressar seus sentimentos e pensamentos. A famosa “crise dos 30” traz angústia e vazio. A busca pelo seu lugar no mundo leva a pessoa a uma jornada espiritual. A harmonia demora a acontecer, pois, há cobranças para estabilidade material. Para a Antroposofia, após o 31 1/2, que é a metade do 63º ano de vida é o término das influências planetárias e zodiacais. Passada essa idade, conquistamos mais liberdade.

Sexto Setênio: 35 aos 42 anos – crise de autenticidade

O funcionamento do fígado não é mais o mesmo. Os cabelos embranquecem e começam a cair. Na fase da consciência, o indivíduo se pergunta o que virá, se foram adquiridos valores importantes e se encontrou  e exerce sua missão de vida. O sexto setênio tem conexão com o anterior, no que tange as crises. Este traz descontentamento e dúvidas se ainda conseguirá fazer algo novo e interessante.

Sétimo Setênio: 42 aos 49 anos – altruísmo x manter a fase expansiva

Começam a menopausa e a andropausa. O pulmão não oxigena mais o sangue como antes. A grande dúvida é se está desenvolvendo alguma habilidade. Questionamentos sobre o relacionamento conjugal e com os filhos ocupam a mente.  A crise dos 30 foi superada e tem início um período de recomeço. Nesta fase, o indivíduo está sedento por novidades, entretanto, as mudanças causam medo. Mas, a pessoa tem plena consciência de que “como está, não dá pra ficar”.

Oitavo Setêniodos 49 aos 56 anos – ouvir o mundo

Menos vitalidade. Rins e fígado não eliminam mais toxinas como antes. O período inspirativo ou moral traz as seguintes questões: “Como está meu ritmo de vida?”, “O que preciso cortar da minha vida, para que o novo possa surgir?”. O oitavo setênio é marcado pela serenidade. A energia vital retorna para o centro do corpo, voltada para o bem-estar, moral, ética, questões universais e humanísticas. Este setênio é fisiologicamente parecido com o segundo setênio (7 aos 14 anos- intercâmbio entre o individual (adormecido) e o hereditário), pois, o ritmo precisa ser priorizado para começar uma nova rotina. É a fase de uma audição diferente, na qual ouvimos a voz do coração para a renovação ético e moral.

Nono Setênio: 56 aos 63 anos – abnegação e sabedoria

Dentes caem, visão e audição diminuem, a locomoção e reflexos alterados em decorrência da queda energética de órgãos como coração, baço-pâncreas, rins e fígado. O nono setênio é a fase da intuição. O nono setênio é equivalente ao primeiro (0 a 7 anos – intercâmbio entre o individual (adormecido) e o hereditário).

No 56º aniversário ocorre uma mudança significativa na maneira como o indivíduo se relaciona com ele e com o mundo. Há uma preocupação sobre o tratamento dado ao corpo. É muito importante estimular o cérebro. Ler, fazer palavras cruzadas, andar por ruas que nunca andou. O cérebro, assim como qualquer órgão precisa ser estimulado para funcionar corretamente.

Torna-se difícil a comunicação com o exterior (choque de gerações). A pessoa passa a prezar a reclusão, pois, sabe que a busca por autoconhecimento depende disso. Este afastamento traz aprimoramento da espiritualidade.

Décimo setênio: 63 aos 70 anos

É a fase do mestre. A criança tem ao seu redor uma luz ainda não definida. No décimo setênio essa luz está na alma do indivíduo e irradia. A luz brilha somente quando a saúde física e mental estão boas.

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Nonênios

Dentro da Teoria dos Setênios existe outra divisão cíclica. Os nonênios representam três triênios. Nos nonênios, ocorrem as mudanças mais significativas do indivíduo. Estes são considerados mais eficazes para o conhecimento e entendimento das fases do ser humano. A Pedagogia Clínica Biográfica estuda a influência da interação entre setênios e nonênios na vida das pessoas. Essa pedagogia compreende o Aconselhamento Biográfico e a Antroposofia. O objetivo é encontrar e entender a realidade e os desafios do indivíduo.

A explicação da Pedagogia Clínica Biográfica é a seguinte:

  • Estudo e transmissão de conhecimento sobre as fases do indivíduo é de caráter educativo – Pedagogia
  • A pessoa que permite receber este conhecimento – Clínica
  • Estudo e conhecimento sobre o “Eu” é baseada nos ritmos biográficos – Biográfica

Conheça os dez nonênios e suas características.

0 a 9 anos: Período do crescimento

Estruturação do corpo físico. Fase de adaptação da estrutura física – entendimento que este é o mecanismo para concretização do seu destino.

9 aos 18 anos: Período do aprendizado

Inicia-se o exercício da estrutura adquirida e a formação fundamental da expressão psicológica;

18 aos 27 anos: Período de luta

O trabalho, a vida afetiva e os amigos levam o indivíduo a explorar o mundo externo e interno.

27 aos 36 anos: Busca pela estabilidade

Aspectos físicos, psicológicos e espirituais possuem forte ligação com a escolha da profissão, vida afetiva e social. Neste nonênio, a pessoa planeja sua vida e trabalha bem mais que nas demais fases.

36 aos 45 anos: Período de rupturas

Fase onde tudo é para ontem. As máscaras precisam dar lugar a busca pelo autoconhecimento.

45 aos 54 anos: Metamorfoses

As rupturas do período anterior dão espaço para a reestruturação da jornada pessoal. A ternura é um sentimento que ganha muita força.

54 aos 63 anos: Aprendendo a sabedoria

Neste nonênio, a pessoa aprende a celebrar cada momento, a comemorar as várias superações e a evolução pessoal.

63 aos 72 anos: Exercício de liberdade

Viver sem as cobranças do cotidiano e das pessoas. Período para fazer algo novo e com liberdade.

72 a 81 anos: Experiência diária com o assombro

Compreensão que as explicações reduzem a realidade. O sentimento de percepção é maior que tudo. O ser humano tem espanto e assombro pela vida.

81 a 90 anos: Experiência da inocência

Nesta fase, o indivíduo está vacinado para as espertezas e maldades da vida. Entretanto, consegue manter acima de tudo isso e cultivar o amor.

Os setênios e os nonênios são nascimentos. Os primeiros trazem relação com o funcionamento do corpo humano e questões psicológicas. O segundo ciclo diz mais respeito ao posicionamento do “Eu” em relação a si próprio e suas experiências sociais. Ambos têm em comum as complexidades sobre o ser humano até a velhice, período costumeiramente esquecido.

Ao conhecer e compreender todas as fases pelas quais passamos, temos tranquilidade para aceitar nossos pontos negativos e trabalhar para melhorarmos. Entretanto, é preciso que o indivíduo queira aprender mais sobre sua existência e sobre seu corpo. Mas palavras de Rudolf Steiner:

A Antroposofia só pode ser reconhecida por uma pessoa que nela encontra aquilo que, a partir de sua sensibilidade, deve buscar. Portanto, somente podem ser antropósofos pessoas que sentem como uma necessidade de vida certas perguntas sobre a essência do ser humano e do universo, assim como se sente fome e sede.

Mesmo que não sinta vontade de expandir seu horizonte de conhecimento, sempre passamos por períodos onde questionamos nossas escolhas e como estamos vivendo. Em algum momento da vida buscamos respostas, porém, muitas vezes estas são procuradas em lugares e com pessoas erradas. Mas, quando a busca pela essência fala mais alto, a pessoa sabe onde e com quem procurar ajuda.

Os setênios e os nonênios não são religiões, logo, não fazem milagres. A quem realmente se interessou pelo assunto precisa estudar com vontade, seriedade e paciência, porque, ninguém sai da ignorância de uma hora para outra.

**Baseado nos estudos aplicados pelo Instituto Veredas Prolíbera e na Biblioteca Virtual da Antroposofia. http://www.antroposofy.com.br/forum/setenios-e-nonenios-fases-da-vida/

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Luciana Neri – PAZ E L

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